Guadalupe é uma freguesia açoriana do concelho de Santa Cruz da Graciosa, com 20,61 km² de área e 1 096 habitantes (2011), o que corresponde a uma densidade populacional de 53,2 hab/km². A freguesia ocupa a região central e noroeste da ilha Graciosa, correspondente aos solos mais férteis e aplanados da ilha, razão pela qual foi durante a maior parte da história da ilha o seu principal centro de produção cerealífera e hortícola.

A freguesia de Guadalupe foi criada em 1644 pela desagregação da metade oeste do então concelho de Santa Cruz da Graciosa (que repartia o território da ilha com o concelho da Vila da Praia), até ali constituído por uma única paróquia, a de Santa Cruz da Graciosa. De terrenos férteis, o território que constitui a freguesia foi povoado durante os primeiros anos do século XVI a partir de Santa Cruz da Graciosa, com dadas que constituíam courelas, isto é longas e estreitas fileiras de campos demarcados por paredes paralelas, irradiando de norte para sul, estrutura fundiária que ainda domina a paisagem local.

A riqueza dos terrenos levou a que Guadalupe se constituísse no centro de produção cerealífera da ilha, com os terrenos a serem adquiridos pelas principais famílias de Santa Cruz da Graciosa. Pode-se assim afirmar que todas as grandes casas de Santa Cruz da Graciosa tiveram a sua raiz fundiária nos campos de Guadalupe. Com uma população que em meados do século XIX ultrapassou os 3 000 habitantes, foi durante a maior parte da história da Graciosa a mais populosa freguesia da ilha, ultrapassando as duas vilas.

A freguesia de Guadalupe é constituída por uma aglomerado de lugares, com uma estrutura de povoamento que pode ser caracterizada como pertencente ao tipo disperso orientado, que leva a que cada uma das povoações se aglomere ao longo das principais vias, mas mantendo a sua identidade própria. É assim uma freguesia de estrutura multipolar, em que as populações tradicionalmente se mantinham isoladas no lugar de residência, com igrejas ou capelas próprias, escolas e irmandades do Divino Espírito Santo independentes das restantes. Assim, a freguesia é mais uma entidade administrativa do que uma entidade sociológica, já que os habitantes tendem a aderir ao seu lugar e não à freguesia como um todo.

A igreja paroquial da freguesia situa-se na localidade de Guadalupe, o mais populoso e o mais próximo da vila de Santa Cruz da Graciosa. O nome da localidade, e da freguesia, tem origem numa ermida construída nas proximidades da actual igreja em meados do século XVI para albergar uma imagem trazida do México por Domingos Pires da Covilhã, um dos primeiros povoadores da localidade. Na localidade foi erecta em paróquia no ano de 1602, com a invocação de Nossa Senhora de Guadalupe, autonomizando-se de Santa Cruz da Graciosa em 1644.

Os alicerces da actual igreja de Guadalupe foram começados a abrir a 15 de Maio de 1713, sendo a primeira pedra benzida a 22 de Maio daquele ano. Contudo, a igreja levou 43 anos a construir, já que a primeira missa apenas foi nela celebrada a 5 de Agosto de 1756. Esta inusitada demora deveu-se à grande crise sísmica de 1717, que provocou a destruição generalizada das casas da freguesia (e da vizinha freguesia da Luz), atrasando as obras e drenando recursos, já que os guadalupenses se viram a braços com a necessidade de reconstruir as suas casas.

A crise sísmica de 1717 deu origem a um voto popular, ainda hoje cumprido no dia 24 de Maio de cada ano, de realizar uma procissão, denominada a Procissão dos Abalos, com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe entre a respectiva igreja e a ermida de Nossa Senhora d’Ajuda, no monte sobranceiro à vila de Santa Cruz da Graciosa, onde é celebrada missa, regressando depois o cortejo à igreja de Guadalupe. Esse voto deu origem a um feriado local, já que toda a ilha para na manhã do dia da procissão, que depois do terramoto de 1980 voltou a ganhar grande fervor popular.